Um pouco de tudo que meu olhar já apreendeu do mundo
Um pouco das belas músicas
Um pouco daqueles que me são queridos
Um pouco de múltiplos sentimentos e algumas fraquezas.
Talvez eu seja um pouco do que você deixou em mim,
Mas em essência, o muito da minha essência
É algo delicado e misterioso.”
(Paloma Alves)
O trabalho desenvolvido com as turmas da educação infantil do turno da tarde da Escola Municipal João Pinheiro, tem como objetivo o conhecimento global do ser humano: conhecendo seu corpo, ampliando conceitos de higiene e saúde, descobrindo que o indivíduo está presente em todas as comunidades, relacionando- se com outros seres e com todo o ambiente onde vive e identificando e analisando diferenças, conceitos, preconceitos, características, valores da sociedade na qual ele está inserido.
Dentro deste contexto, este projeto visa atender aos alunos da educação infantil do turno da tarde desta escola, com idades entre 2 anos e 8 meses e 6 anos, com o intuito de trabalhar as questões raciais na educação infantil, tendo como objetivo principal a construção da identidade positiva levando em consideração a influência da cultura africana na construção da cultura Brasileira, o fortalecimento da identidade negra e a valorização da cultura negra.
Após uma apresentação do grupo de percussão da Escola Municipal Vila pinho, percebemos o grande interesse das crianças por aquele gênero musical. A apresentação despertou o fascínio e a admiração das crianças.
Neste mesmo dia ao retornarmos à sala, o primeiro impulso das crianças, foi o de produzir música batendo nos objetos presentes na sala. Experimentamos bater em várias coisas para produzir som, armário, mesa, latas para guardar materiais. Depois a professora trouxe para a sala a bandinha da escola, e apresentou vários instrumentos de percussão, produzindo som com estes instrumentos, e apresentando o nome da cada um que estava na mala. Foi um dia muito rico e ficamos cheios de perguntas por responder.
Neste momento foi feita a proposta de pesquisarmos mais sobre a percussão e vivenciá-la de forma mais concreta. Foi pensado então, uma oficina de percussão, onde as crianças contassem com o apoio de oficineiros que trabalhassem percussão com crianças, e depois que estas pudessem construir instrumentos e que pudessem participar também de apresentações de capoeira para perceberem outros momentos em que a percussão também aparece.
Além de trabalhar o prazer da música e da produção musical, foi um grande detonador para trabalharmos também a identificação, valorização da cultura negra, e o fortalecimento da identidade negra na educação infantil. O objetivo é desenvolver uma proposta artístico-pedagógica baseada na construção de instrumentos musicais percussivos, aprendizagem de ritmos, cantos e danças como caminho para a inclusão social e também como forma de reconhecimento histórico e político da cultura afro-brasileira.
A questão racial no cotidiano escolar deve ser vista através dos estudos das diversidades racial, cultural e religiosa que constituem uma sociedade. No entanto, focaremos neste trabalho apenas na questão da cultura negra, pois, consideramos importante este enfoque a partir do momento em que temos crianças negras tendo vergonha da sua origem, ao mesmo tempo em que temos crianças que dizem não gostar de pessoas de origem negra (falas de algumas crianças durante momentos diferentes em sala de aula). Portanto, é preciso trabalhar a questão racial de forma a valorizar o negro e a cultura africana, pois, não há como eliminar o preconceito e a discriminação enquanto houver crianças e adultos com vergonha da sua cor e crianças que não respeitem o outro em suas diferenças.
Se a educação infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança, por que não começar nessa fase o trabalho com a problemática racial no cotidiano escolar? Consideramos essencial trabalhar esta questão visando melhorar a auto-estima da criança negra em seu convívio social e a valorização da cultura negra.
É no cotidiano da Educação Infantil que vemos as conseqüências dos meios sociais e familiar, os quais influenciam e mostram que a questão racial precisa ser problematizada e desmistificada. Isto porque, as crianças começam a se constituírem como sujeitos a partir da assimilação do que a sociedade e a família são.
Percebe-se que vivemos em uma sociedade onde ocorrem diariamente práticas discriminatórias e preconceituosas em relação aos negros, e como a escola não está dissociada desse contexto, o preconceito racial também está presente nela.
Acredita-se que esta proposta de trabalho contribuirá para o conhecimento dos professores e da crianças, acerca da questão racial no Brasil, de forma a melhorar o cotidiano da educação infantil, para todas as crianças. Esta melhoria consiste no respeito às diferenças e a uma educação igualitária para todos. Tendo como objetivo começar a eliminar todos os tipos de preconceitos e estereótipos.
Para haver uma educação igualitária para todos é preciso não existir mais preconceitos e nenhum tipo de discriminação. Embora qualquer discriminação deva ser combatida, focaremos a discriminação em relação ao negro, eliminando todos os estereótipos e desmistificando inverdades acerca da cultura negra.
O Educador Infantil não deve ser conivente com nenhuma atitude discriminatória em relação às crianças negras, ele tem que discutir a questão racial e impor respeito à identidade e à cultura das mesmas.
No cotidiano escolar, a educação anti-racista visa à erradicação do preconceito, das discriminações e de tratamentos diferenciados. Nela, estereótipos e idéias preconcebidas, estejam onde estiverem precisam ser duramente criticados e banidos. Em um caminho que conduz à valorização da igualdade nas relações. E, para isso, o olhar crítico é a ferramenta mestra.
Para que haja mudança no cotidiano escolar em relação aos preconceitos é preciso que todos desde educadores, alunos e até os pais repensem a questão racial de forma crítica, visando sempre uma educação igualitária para alunos negros e brancos.
Temos por objetivo trabalhar a identidade da criança negra para que ela se aceite como negra. A identidade da criança é construída tanto em seu ambiente familiar, junto à sua comunidade e na escola, por isso, esta última deve aceitar e compreender que há uma identidade negra, assim como há identidade de mulheres, de índios, de homossexuais entre muitas outras. A identidade negra, assim como qualquer outra está sempre em processo de transformação e mudança, e se assumir como negro é uma questão política da mesma forma que a questão racial também é de responsabilidade política. De acordo com Nilma Lino Gomes (2005), a identidade negra é entendida, como construção social, histórica, cultural e plural. Implica a construção do olhar de um grupo étnico/racial ou de sujeitos que pertencem a um mesmo grupo étnico/racial, sobre si mesmos, a partir da relação com o outro.
Por isso, a valorização da cultura negra se faz essencial para eliminar os estereótipos e preconceitos acerca do negro, já que a construção da identidade acontece com o outro sempre presente. Ou seja, uma pessoa não consegue construir sua identidade totalmente livre de influência do meio.
Para combater a negação do outro é preciso que a criança aprenda a conviver com as diferenças, de forma que o outro não precise excluir a sua identidade para viver a do grupo dominante, além de que, o novo sempre existirá e através dele há o desenvolvimento. É preciso eliminar as idéias estereotipadas para que o outro seja aceito evitando o preconceito.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil. Brasília: 2006. Volumes I e II. Disponível em:
CAVALLEIRO, Eliane. Educação Anti-racista: compromisso indispensável para um mundo melhor. In: ______. Racismo e anti-racismo na educação: Repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.
CAVALLEIRO, Eliane. Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2000.
FERREIRA, Ricardo Franklin. Afro-descendente: identidade em construção. Rio de Janeiro: Pallas, 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: BRASIL. Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal no 10.639/03. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
OLIVEIRA, Cristiane Mandanelo. Livros e Infância. Disponível em:
Revista África e Africanidades -Ano I -n. 3 - Nov. 2008 -ISSN 1983-2354. Disponível em www.africaeafricanidades.com Acesso em: 04 abril, 2009.

que blog legal!!!!! Gostei muito!!! Quem é vc, educadora? Vamos trocar figurinhas!
ResponderExcluirabraços!
ainda a tempo p correções: vi que são duas educadoras! parabéns pelo blog! quero trocar figurinhas!!
ResponderExcluirSomos educadoras infantis também, estamos fazendo uma experiencia com o blog e diga-se de passagem, que experiencia deliciosa. Podemos sim trocar figurinhas. aproposito, hoje nos encontramos na reunião da educação infantil no sindicato.
ResponderExcluirObrigada pela visita.
ó, é mesmo?? Vcs são de qual umei??
ResponderExcluirE. M. João Pinheiro e Umei Pituchinha
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